Leite e patê de nozes
dezembro 1, 2008
Após uma semaninha de descanso pré-trabalho em Portugal, e após um reboot na Bahia, estou de volta ao blog. Sabe que quando chego na Bahia primeiro tenho que me readaptar à minha baianidade nagô, e não quero fazer mais nada a não ser abraçar família, me lambuzar de doce de tamarindo e comer moqueca (e na primeira semana tem TANTA coisa burocrática para resolver). Mas volto aqui com uma receita gostosinha de leite de nozes, uma boa opção para quem tem intolerância à lactose, para os vegans, ou simplesmente para os que gostam de receitas naturais deliciosas como eu (não que EU seja deliciosa, quis dizer que gosto de receitas naturais deliciosas; meu maridinho pode ter uma opinião mais favorável à minha pessoa, mas quem sou eu para promover meu sex appeal neste blog, não é mesmo?).
Para fazer o leite você vai precisar de 4 medidas de água para cada medida de nozes. Um pouco de melaço, uma pitada de sal, essência natural de baunilha, um liquidificador e um pano de queijo (pano fino de algodão para coar o leite, o tecido de fralda é uma boa opção). O bagaço das nozes pode ser usado como um patê, cuja receita virá logo em seguida. Nada vai para o lixo.
Bem, normalmente uso estas medidas para fazer o meu leitinho que não é de vaca (“Tomou?”):
5 xícaras de água fria (1 xícara será para colocar as nozes de molho, esta água será descartada)
1 xícara de nozes cruas
1 pitada de sal
1 colher de chá de essência natural de baunilha
2 colheres de sopa de melaço de cana
Deixe as nozes de molho em uma xícara de água fria durante a noite. Descarte a água do molho quando acordar, e bata as nozes no liquidificador com 4 xícaras de água, por cerca de 1 minuto até que estejam bem processadas. Passe pelo coador de pano de fralda (já tentei usar o coador de café, daqueles de pano mais grosso, mas deu muito trabalho). Reserve o bagaço. Coloque o líquido novamente no liquidificador com o sal, a baunilha e o melaço, e bata por mais uns 30 segundos. Tá pronto o leite, que pode ser guardado na geladeira por uns 3 dias. Eu uso para fazer shakes deliciosos, o da foto abaixo é com banana e amoras (normalmente congelo as frutas antes, para ficar cremoso). O leite de nozes fica muito bom com chocolate quente também, substituindo o leite comun. Não testei em outras receitas, nem com café. Mas bem geladinho, puro, com um pouco mais de melaço também fica gostoso. Se alguém testar em alguma outra receita, compartilhe a experiência.

E para não jogar fora o bagaço das nozes, podemos fazer um patê que pode ser usado com pão, torrada, biscoitos salgados ou como um dip para vegetais cortados em palito:

1 xícara de bagaço de nozes
1/8 de xícara de óleo de oliva
1/8 de xícara de suco de limão
1/4 de colher de chá de sal
ervas picadinhas, a gosto (pode ser coentro, salsa, manjericão, etc)
1/2 dente de alho
1/4 xícara de cebola picada
1/4 xícara de pimentão vermelho (opcional)
Bata tudo num processador ou liquidificador, até ficar bem cremoso. E pronto, kbou! Come logo aêêêêê. Se sobrar, guarda na geladeira, deve conservar por pelo menos uns 2 dias.
Nas duas receitas, as nozes podem ser substituídas por amêndoas. As duas opções são deliciosas, vegans, completamente naturais, e nada vai para o lixo. Legal ou não é?
The apple of my eyes
novembro 1, 2008
Dia das Bruxas…doces ou travessuras? Que tal maçãs? Ao invés de comprar doces para as crianças resolvemos comprar maçãs, muitas maçãs. Mas num frio de 0-5 graus Celsius, as crianças não tocaram a campainha por aqui. Estamos agora com um estoque de maçãs maior do que o da bruxa da Branca de Neve, e sem anão algum para compartilhar, nem anão de jardim. Coloquei umas 6 no juicer, junto com 3 cenouras e um pedacinho de gengibre, e fiz dois copos enormes de suco. Depois fiquei caçando no google uma receita de sobremesa de maçã (alguma que envolvesse apenas os ingredientes que eu já tivesse em casa, claro). Achei uma bem simples, que é maçã fatiada coberta com streusel e iogurte. Ficou assim [a foto com o iogurte ficou feia, então vai a pré-iogurte mesmo, clique para ampliar]:
O streusel é típico da culinária alemã, uma espécie de “farofa” feita com manteiga, farinha de trigo e açúcar; quando levada ao forno, esta farofa dá uma textura crocante às receitas. Uma dilícia!!! Consegui a receita original aqui neste site, mas não fiz 3 coisas que a receita pedia: não adicionei noz-moscada (porque não tinha em casa), esqueci do suco de limão e…o pior de tudo…esqueci de descascar as maçãs! O suco de limão e a noz-moscada não fizeram muita diferença porque ficou uma delícia, mas a casca não era para estar ali, porque a textura dela não combina com o resto da sobremesa. Portanto, você pode seguir a receita original ou a minha receita sem suco de limão e sem noz-moscada, MAS PELAMORDEDEUS NÃO ESQUEÇA DE DESCASCAR AS MAÇÃS!
Uma dica sobre o tipo de maçã: doce, durinha, crocante. Pode ser vermelha, amarela, ou de cor mista, mas não use maçã verde nem use aquele tipo muito macia, acho que não fica muito legal. Aqui nos mercados dos EUA existem infinitos tipos de maçãs; a receita original pede o tipo Golden Delicious, que tem a casca amarelada, e é bem docinha. Eu simplesmente usei o tipo que eu tinha, cujo nome desconheço (quem comprou foi O Homem, que entende de maçã tanto quanto eu entendo de física quântica). Mas é do tipo que sugeri: durinha, meio crocante, e doce.
Para cerca de 4 a 6 porções, você vai precisar de:
- 4 maçãs vermelhas (ou amarelas) grandes, descascadas e cortadas em fatias grossas
- 1/2 xícara (chá) de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
- 1/2 xícara (chá) de açúcar demerara (um tipo de açúcar granulado que não passa pelo processo de branqueamento; intermediário entre o mascavo e o refinado, é fácil de achar em casas de produtos naturais)
- 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo integral
- 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo mista
- 1/2 colher (chá) de canela em pó
- 1/2 xícara (chá) de nozes picadas
- 1/4 xícara (chá) de uvas-passas
- Iogurte natural com essência de baunilha, e adoçado com mel
O forno deve estar pré-aquecido a cerca de 176 graus Celsius. Descasque as maçãs e corte em fatias grossas. Descarte os caroços, claro. Se quiser, acrescente o tal do suco de limão (cerca de 2 colheres de sopa) para que elas não comecem a escurecer. Para a farofa/streusel, misture a manteiga e o açúcar até formar um creme, adicione as farinhas e a canela e misture com as pontas dos dedos ou com um garfo até ficar com cara de farofa (cerca de 1 minuto). Acrescente as nozes e as passas. Unte uma forma média com um pouco de manteiga, distribua as fatias de maçã em apenas uma camada, e espalhe a “farofa” por cima, de maneira uniforme. Leve ao forno por 30 minutos. Sirva quente, com um pouco do iogurte frio por cima (ou sorvete de baunilha).
Para comer ouvindo Stevie Wonder (“You are the apple of my eyeeeeeessssss……”):
#sempre que possível, use produtos orgânicos!
Cereal killer
outubro 29, 2008
Se você é do tipo que se transforma em cereal killer toda manhã, crie a sua própria vítima em casa. Hoje resolvi tentar fazer meu próprio muesli, pois estou com um estoque ridiculamente grande de aveia. Ficou gostoso, assim:
Eu diria que o muesli é a granola que não foi ao forno. Foi descoberto pelo médico suíco Max Bircher-Benner, e é basicamente uma mistura de aveia, frutas e castanhas/nozes/amêndoas. E a aveia, caros colegas, é um cereal recheado de benefícios; segundo a wikipédia, “o consumo de aveia [...] está associado ao controle da glicemia (açúcar no sangue), manutenção e diminuição do colesterol sanguíneo, controle da pressão arterial e regulação do trânsito intestinal, evitando a obstipação (intestino preso)”.
Para fazer o meu próprio muesli, brinquei com o que eu tinha no armário e cheguei à seguinte receita:
2 xícaras (chá) de aveia em flocos grossos
3/4 xícara (chá) de coco ralado (seco, daquele vendido em pacotes no mercado)
1 xícara (chá) de uvas-passas
3/4 xícara (chá) de nozes picadas
Modo de fazer? Basta misturar tudo com uma colher de pau, e armazenar em local fresco e seco num recipiente hermeticamente fechado. Pronto. Sirva com leite, ou com iogurte. Se quiser adoçar, use um pouco de mel ou açúcar mascavo.
Personalize sua receita, substituindo as uvas-passas por outro tipo de fruta seca picada, ou usando outros tipos de castanhas e/ou amêndoas no lugar das nozes.
#sempre que po$$ível, use produtos orgânicos!
Dá um caldo?
outubro 23, 2008
Que tal não comprar caldo de carne, galinha, Maggi, Knor, Sazon, blablabla? Pois bem, já não compro há muito tempo, mas recentemente achei um substituto caseiro para eles: caldo de verduras. Tentei a primeira vez porque ia viajar por algumas semanas e percebi que a geladeira ainda estava cheia. Para não jogar fora a multidão de cenouras, tomates, folhas, cebolas, batatas e afins, coloquei tudo cortado em cubo ou rodelas grandes numa panela, duas ou três folhas de louro, alguns grãos de pimenta-do-reino, e ervas diversas. Cobri com água, cozinhei em fogo alto até o ponto de fervura, baixei o fogo e deixei cozinhando por cerca de uma hora ou mais. Depois disso, é só deixar esfriar, coar, e congelar o líquido em vários vasilhames pequenos. Para quem mora em casa, a parte sólida pode ir para uma pilha de compostagem (ou talvez seja possível fazer uma sopa cremosa, batendo tudo num processador de alimentos — ainda não tentei esta opção, quem tentar me avise).
Uso o caldo para fazer sopas ou no lugar da água ao cozinhar arroz, batatas ou feijões. Não adiciono sal durante a preparação do caldo, deixo para usá-lo apenas durante a preparação das receitas finais. Adapte o caldo ao seu gosto, usando quaisquer hortaliças/legumes/verduras disponíveis.
p.s.: descobri que também é possível congelar as sobras e cascas cruas das hortaliças/legumes/verduras até que se tenha o suficiente para fazer o caldo. Já estou acumulando as minhas sobras e cascas, mas ainda não fiz um novo caldo; ainda tenho bastante congelado da última tentativa.
#sempre que po$$ível, use produtos orgânicos!
2 hambúrgueres, alface, queijo, molho especial…
outubro 22, 2008
Quem não lembra da musiquinha do Big Mac??? Se não me falha a memória, quando a McDonald’s abriu em Salvador teve até promoção: cante a musiquinha sem engasgar e ganhe um Big Mac. Alguém confirma? Ou eu sonhei, de tão excitada que estava quando abriu a McDonald’s do Rio Vermelho (e eu morando ali pertinho na Amaralina)?
Semana passada estava com uma vontade DE LASCAR de comer um Big Mac…mas em geral meu cardápio não inclui carne vermelha. O que eu fiz? Improvisei, é ÓVBIO [sic], que eu também sou do jazz. Substitui o hambúrguer por tempeh, fiz uma “maionese” vegan, usei picles que preparei em casa, e matei o monstro que roncava de desejo carnal no meu estômago!
Para quem não sabe o que é tempeh (ou tempe), passa os zóios aí do lado. É um bolo de soja fermentada, muito popular na Indonésia, e muito usado pelos vegans por seu alto teor de proteína, além de fibras e vitaminas. Cortei um pouco o consumo de peixes e frutos do mar mas já estou meio enjoada de tofu e feijões, e preciso de proteína. Entre os “substitutos de carne” que tenho experimentado o tempeh me parece um dos melhores (mas um dia desses também irei apresentá-los ao seitan, que é igualmente uma delícia). Tem uma textura fibrosa, meio “carnuda”, e um sabor meio amendoado, e realmente dá uma enganada legal quando preparado como hambúrguer. Para quem gosta dos detalhes, segundo este site o tempeh “contém 19,5% de proteínas, ou seja, mais 50% do que os hambúrgueres normais. Não tem gorduras saturadas, é inteiramente livre de colesterol e contém apenas 157 calorias por cada 100 gramas.”
Nunca vi tempeh em Salvador, a primeira vez que comi foi aqui nos States. Mas tenho certeza que é vendido em casas de produtos naturais pelo Brasil todo (e se não está sendo vendido ainda, deveria, já que produzimos tanta soja). E chega de conversa, vamos à receita. Para o “molho especial” do meu Soya Mac (!!!) fiz a tal maionese vegan, uma “soyanese” [receita original aqui, usei meia receita porque só queria fazer duas porções, e o que sobrou usei como molho de salada no dia seguinte]:
1 1/2 colher (sopa) de suco de limão; 1/4 xícara (chá) de leite de soja; 1/8 colher (chá) de sal; 1/8 colher (chá) de páprica; 1/8 colher (chá) de mostarda (de preferência Dijon); 3 colheres (sopa) de óleo vegetal (de preferência óleo de oliva)
Bata todos os ingredientes — EXCETO o óleo — no liquidificador, na velocidade mais baixa [na linguagem do Créu, seria qual?]. Pouco a pouco, adicione o óleo, e continue batendo em velocidade baixa, até engrossar [affe, tá ficando pornô!]. Transfira para um potinho de vidro, e guarde no refrigerador. Como não contém conservantes, recomendo que use em poucos dias.
O picles também fiz em casa, mas deve ser feito pelo menos um dia antes — prometo postar a receita do picles esta semana.
Bem, o resto é simples. Corte o tempeh em fatias, na espessura de um hambúrguer. Deixe marinar por uns dez minutos em molho shoyu (uso cerca de 1/2 colher de sopa de shoyu para cada fatia), e frite em um pouco de óleo vegetal, como fritaria um hambúrguer. Se achar que está ficando muito ressecado, respingue um pouco de água na panela enquanto frita — com cuidado, para não se queimar.
Ah, enquanto o “tempehburguer” estiver fritando, coloque uma ou duas fatias do seu queijo de prefência num pão de hambúrguer e leve ao forno até o queijo derreter um pouco. Depois de frito, você sabe o que fazer com o “tempehburguer”, né? Coloque no pão+queijo, acrescente um pouco da “maionese”, picles caseiro [receita coming soon], alface americana, rodelas finas de tomate e cebola, e salpique com um pouco de semente de gergelim (tostada ou não). Está pronto o seu ”Soya Mac”. DILÍCIA!!!
#sempre que po$$ível, use produtos orgânicos!



